A marcha é pra Jesus?

Chegou aquele momento gostoso de cada ano, onde varias igrejas (não todas) se reúnem em nome da cristandade e vão andar de ponto A a ponto B da cidade; a tal da Marcha para Jesus. E pra variar pessoas que não se sentem representadas por tal movimento, vão erguer faixas questionando-o;  esses se denominam “Movimento Revolucionário 31 de Outubro” ou MR3110. Já vai ser o terceiro ano que eu participo, pelo menos “em espirito” do segundo grupo.

Não por rebeldia contra a instituição eclesiástica, apenas porque não creia que religião e política devem ser misturadas em uma só coisa; ou mesmo que o governo deva gastar dinheiro publico em uma manifestação religiosa. Além de nem todas as igrejas de Curitiba (minha cidade, e onde eu participo das manifestações) concordam com a Marcha, e também nem todas participam da Marcha. Alem do claro uso de textos bíblicos e distorção de seus significados para legitimar tal ato.

Como assim se misturar religião com política? Toda marcha termina (em Curitiba) na praça Iguaçu, onde todos os três poderes estaduais estão representados; onde é tradição o poder executivo estar presente para “receber bençãos” das igrejas representadas. Além de em cada trio elétrico participante da Marcha, existir a representação de um ou mais politicos; seja em pessoa (sim tem deputado estadual que sobe nos caminhões, ou mesmo paga por eles) ou tem cartaz lembrando quem foi que “ajudou” aquele carro estar ali. Claro, o protocolo exige que a conversa publica com o poder executivo e legislativo seja pacifica e cheia de elogios. Lembrando que o Beto Richa vai estar domingo (16/05/2015) recebendo elogios de pastores, que possivelmente (por causa do protocolo) não vão nem tocar no assunto de naquela mesma praça 213 pessoas ficaram feridas.

Como assim a cidade paga para o evento acontecer? Todo ano a Prefeitura de Curitiba gasta pelo menos 40 mil reais com a Marcha para Jesus. São gastos com a segurança dos marchantes (se podemos chamar eles assim), são gastos para desviar as ruas, desviar os ônibus da rota da Marcha (que passa nas principais rotas de ônibus do Centro Cívico), etc. Enfim, a cidade paga um preço para que algumas pessoas possam manifestar a sua comoção religiosa.

Sobre a questão biblica, prefiro deixar o link para um texto enorme do Senhor Augusto Nicodemus (aqui) e um que refuta ponto a ponto a defesa bíblica da Marcha para Jesus no Brasil, feita por Felipe Lemos (aqui).

Se quiser saber mais sobre o MR3110, acesse esse link aqui.

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Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.