Aquele sobre Cristandade e Estado Islamico

Disclaimer: eu pessoalmente prefiro chamar de daesh, pelo fato de não me sentir bem em dar o estatuto de Estado a organização, nem de islâmico por conhecer outras linhas islâmicas que são tão irrepreensíveis no amor e empatia ao proximo quanto um cristão deveria ser. Portanto no decorrer do texto usar o termo árabe daesh ao me referir a organização terrorista.

Interessante como é fácil colocar o outro na parede e esquecer que praticas nossas são tão reprováveis como a deles. Perceba, não estou aqui justificando nenhuma atitude do daesh nem aprovando algum feito da organização. Apenas fazendo a comparação da essência que leva eles (ou creio leve eles) a cometer atrocidades, e comparando com a essência que leva a um grupo de pessoas dentro da cristandade a cometer atos absurdos. Não comparo a forma como esses atos se dão e não justifico nenhum deles.

O daesh, segundo o que pesquisei, nasce de uma linha radical do Islã que acredita na imposição legal da religião; e do assassínio (sempre dentro da legalidade) das pessoas que não se convertem ao Islã e que não seguem a interpretação deles do Corão.

A bancada evangelica tem seguido uma linha radical da Cristandade que acredita que “O Brasil e o mundo são de Jesus” e que isso deve ser conseguido através do legislativo. Também que qualquer lei que fira a interpretação vigente das escritura sagrada Cristã não pode ser aprovada (regulamentação do uso de drogas recreativas, regulamentação do aborto, representação legal do casamento entre pessoas nascidas com o mesmo sexo, etc); e que leis que seguem a linha de interpretação deles deve ser aprovada a qualquer custo (capacidade de lideres religiosos cristãos para questionar o STF, Estatuto da Familia, Internação compulsória de usuários de narcóticos sem autorização do próprio usuário ou de um juiz, etc).

Ambos grupos não são a maioria de suas religiões, mas são as que tem tido mais voz. Ambos se repudiam, mas essencialmente (na minha humilde opinião) partem do mesmo ponto: a conquista religiosa através do poder de lei. Por isso reprovo, pessoalmente a ambos, por defender que a religião (e a não-religião) é um direito de todo cidadão e a proteção ao direito de culto é um direito básico em uma sociedade civilizada. Por isso, também, sou contra o proselitismo religioso (ao menos no momento) embora seja a favor do livre debate religioso (o primeiro é tentar de forma impositiva a conversão do outro, o segundo tentar de forma expositiva sanar duvidas sobre a sua religião ou pratica religiosa).

Sei que não é o típico post do blog, mas acho interessante colocar isso pra fora de alguma maneira. Vale colocar que eu, pessoalmente, sou cristão e tento ter a pratica mais próxima de Cristo; com meus erros e acertos. Se você, meu caro leitor, discorda ou acha que algo deve ser adicionado ao que eu escrevi sinta-se a vontade em usar a area de comentários.

Published by

Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.