Cheguei em casa (Ou Como Voltar a uma vida que eu nunca tive)

Cheguei em casa. Depois de 13,5 meses; eu cheguei em casa.

Não é a mesma casa (literalmente), e não é a mesma familia (lembra aquela historia de não entrar duas vezes no mesmo rio? Por aí). Sigo amando eles, claro; mas eles e eu mudamos.

E isso é estranho, porque eu sentia saudade daquelas pessoas, daquele lugar, que deixei; e ele não existe mais.

Na internet já achei o termo “sindrome de retorno” ou “choque cultural reverso”. Prefiro ficar com choque cultural reverso por ser muito parecido com o choque de se adaptar em outra cultura, mas pior por minhas expectativas serem frustadas tão profundamente.

O choque cultural é a quebra em se adaptar a uma cultura diferente da sua, e existem vários psicólogos que escrevem sobre, e basicamente é o tempo de adaptação em um novo espaço.

Todos passamos por pequenos choques culturais em menores escalas (mudar de escola, mudar de cidade, mudar da escola pra faculdade) mas mudanças maiores trazem maior choque. Imagine não poder comer arroz e feijão todo almoço, não falar a sua própria lingua com seus amigos, não usar a sua própria moeda para comprar algo, não ver o verde-amarelo tão presente como no Brasil, etc. Sinceramente, é horrível. Dores de cabeça (reais), ansiedade, vontade de largar tudo e voltar, arrependimento de ter ido, sentimento de solidão, comer demais ou de menos, dormir demais ou de menos; tudo isso e muito mais. Até que finalmente você se sente parte daquela cultura, não como um nativo (ainda é um estrangeiro), mas entende os costumes, as piadas, as referencias, etc.

Agora imagina que nesse momento que conseguiu se adaptar e quase ser um nativo, acaba seu tempo naquele lugar, e o fatídico voo de volta ocorre. E agora começa tudo de novo, com um grande agravante, tu acha que conhece pra onde estás voltando. Literalmente é como reaprender a andar. Tu sabe o que deveria fazer, mas não funciona como funcionou antes. Lembre; as pessoas mudarem, os lugares mudaram, os preços mudaram, a cultura mudou, e você mudou. E foram mudanças sutis em ambos os lados; no meu caso levaram 13,5 meses pra acontecer, e eu me deparei com todas elas de uma vez. 13,5 meses de processos lentos que se chocam.

Isso pode causar depressão, quebras com a realidade, e muitos maus-entendidos.

Em suma, muita coisa vai mudar aqui no blog… quem sabe pra melhor. Se você que ler tiver um pouquinho de paciência, prometo oferecer um ótimo conteúdo.

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Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.