Cristandade e a Educação

Essa semana eu fiquei refletindo muito sobre a cristandade e o nosso papel enquanto adeptos dela na educação formal.
Um pouco de background pra entenderem de quais são os meus pressupostos pras conclusões que cheguei. De fevereiro até março houve uma greve que adiou o inicio do ano letivo das Escolas Estaduais do Paraná em um pouco menos de um mês. Ali por maio os professores se manifestaram de novo, contra um golpe do governador que deixava que este usasse do fundo previdenciário  para pagar dividas que ele fez devido a uma péssima administração. E nessa ultima manifestação, o executivo usou de força policial; e aí o “baguio ficou louco”. Tal ato foi comparado por varias pessoas com o uso de força policial de Alvaro Dias em 1988, e este (pra quem não é do Paraná) é lembrado todo dia 30 de agosto, muitas vezes com manifestações publicas na frente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). O uso de força do poder executivo, em 2015, foi seguido de greve e paralisações que vão duraram quase mais um mês. Duas semanas depois do “Massacre dos Professores do Paraná”, ocorreu a Marcha pra Jesus de Curitiba 2015. E infelizmente, o Conselho de Pastores e Líderes Religiosos de Curitiba  (COPLEC) não mostrou nem repudio nem apoio as praticas do governador (tanto em permitir um greve tão longa no inicio do ano, quanto usar de força policial para cima de professores); embora tenham tido acesso direto a ele. Isso vamos chamar esses  dois momentos de quando a  Cristandade se calou.
Nessa semana, e dai veio todo essa reflexão, no dia 22 de junho foi votado o Plano de Educação Estadual. Sendo que na votação anterior militantes LGBTQ+ tentaram colocar que seria, em parte, responsabilidade da rede estadual de educação ensinar sobre a ideologia de gênero. Não encontrei os parágrafos exatos, então que fique claro que boa parte é interpretação minha, com base no que foi retirado do Plano Nacional da Educação no que concerne o mesmo item. Ensinar sobre ideologia de gênero nada mais seria do que ensinar que existem pessoas que expressam ou se identificam no que concerne a gênero de formas não tradicionais, ou não binarias. Não é a desconstrução da criança cisgenero, mas levar esta a entender que existem transgêneros e terceiro-gêneros. E que isso é independente de como ela se orienta sexualmente ou romanticamente. Mas aí a Cristandade se levantou. Principalmente, porque existe a ideia que ideologia de gênero é desconstruir a identidade de gênero de todas as crianças, e portanto um risco a “familia tradicional brasileira”.
E fica a minha pergunta: nós, cristãos, realmente nos preocupamos com a educação e com nossas, ou nos preocupamos mais com a tradição do que com a educação e nossas crianças? Nas palavras de Taystee (personagem de Orange is the New Black):“That’s because this is America. Violence is all good and fine. But sex? LORD no!” (“Porque isso é America. Violência tranquilo, de boa. Mas sexo? DEUS, não!”, tradução do autor)

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Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.