Cristianismo, dia do sexo, e repressão religiosa

Dizem que hoje, dia 6 de setembro, é dia do sexo. E é interessante pensar nisso através dos olhos de alguém criado dentro do sistema atual das igrejas (e toda vez que eu falo igreja, eu estou falando sobre as pessoas dentro dela).

Como comemorar o dia do sexo?
Como comemorar o dia do sexo?

Mas acho que antes de abordar o tema em si, se faz necessário falar que nós (sim eu me incluo nessa massa acéfala chamada igreja) somos a maior fabrica de idiotas do mundo. Me explico, quando alguém se converte, nós o transformamos num esquenta banco, e pronto. Transformamos qualquer um que se converta e comece a frequentar nossa igreja numa copia quase perfeita do que nós julgamos ser um comportamento perfeito. Nós destruímos a historia da pessoa, dizemos que o que ela fez não importa mais, e que para alcançar o céu ela deve agir como nós. E esquecemos de individualidade no processo.

Nós acreditamos que Deus inventou o sexo, mas qualquer menção a esse é pecado?
Nós acreditamos que Deus inventou o sexo, mas qualquer menção a esse é pecado?

Também inventamos que quem ta dentro da igreja não pode pecar, nem andar com pecadores. E criamos varias pessoas que se encontram semanalmente para colocar as suas mascaras, e fingir que não fizeram nada de errado durante a semana. Invés de um lugar de apoio a pecadores, nos tornamos um lugar de julgar. Invés de um lugar que estende a mão, tornamos em um lugar que aponta o dedo.

E existem pessoas com certos pecados colocados como pecados maiores. Porque mentirinhas e fofoca entram na area cinza, afinal ninguém é perfeito. Mas quando falamos de pecados sexuais, ou vícios sexuais, IMAGINA se isso é descoberto! Se descobrem que no meu projeto de lugar perfeito, uma pessoa ~caiu~? A minha imagem enquanto indivíduo vai ficar manchada, e muito provavelmente eu tenha que mudar de igreja. E, sinceramente, eu tinha essa visão até um tempo atras.

Até eu assistir o filme “Thanks for Sharing” (odiei o nome em português, vai em inglês mesmo). Onde o personagem principal pertence a um grupo no estilo Alcóolicos Anônimos, para viciados em sexo. E o maior drama é justamente ele voltar a se relacionar com o sexo oposto. Durante 5 anos, eu acho, ele ficou sem ter nenhum tipo de ~queda~. Ate que por n motivos, acaba voltando ao vicio. E a primeira reação dele é esconder. Porque em todos os tempos de viciado, mostrar-se vulnerável só trouxe dor para ele. E, como ninguém esperava, existem pessoas que estendem a mão para ele.

Sim, é desse filme que saiu a classica piada do Hulk ser o "Ricardão".
Sim, é desse filme que saiu a classica piada do Hulk ser o “Ricardão”.

Essa vergonha inicial tem mais a ver com a culpa normal do pecado, ou com uma pressão coloca do ambiente para que ele sempre seja o cara perfeito? Na minha humilde fecal opinião, talvez a religião pudesse ser a ajuda que ele necessitava, e não fizesse ele ter esse sentimento de culpa, mas a culpa verdadeira que levasse ao arrependimento verdadeiro? (Quando me refiro a culpa verdadeira estou me referindo ao que Francis Schaeffer define como culpa falsa – apenas sentimento, e temporária- e culpa verdadeira – entendimento intelectual que o ato foi errado, e a escolha de mudar).

Eu creio numa igreja que seja menos regrada pelo “não pode, é pecado, o pastor falou” e mais pelo “cara, você errou, eu te ajudo  na caminhada”. E que deixemos de falar de inclusão, restauração e amor apenas de púlpito; mas no nosso caminhar diário. Eu sonho com a igreja em que poderei convidar meus amigos ~pecadores~ e eles se sentirão incluídos.

Valeu, falous.
Valeu, falous.

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Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.