Qual a diferença entre o Estado de Israel e o Estado Islâmico?

Eu estava vendo muitos amigos falando contra o Estado Islamico, e como esse é possivelmente o levante do anti-Cristo e como o Islamismo é uma religião ruim. Decidi juntar isso com algumas opiniões sobre o que rola na região do Oriente Médio, e sei que esse texto não é um guia definitivo nem mesmo creio na inerência do meu ponto de vista. Mas vamos ter um tempinho pra refletir sobre algumas coisas?

E voltamos a pergunta do titulo: Qual é a real diferença entre o Estado de Israel e o Estado Islamico?

1) Ambos tem uma justificativa religiosa.

Os judeus usam a justificativa que o terreno pertence ao povo de Israel através da Torá. Sim, o texto sagrado israelita é uma das principais justificativas; tanto a justificativa que existe um povo judeu quanto a justificativa geográfica. Existem textos sagrados que mostram uma descrição muito clara da divisão da terra, e portanto a localização geográfica do Estado de Israel tenta chegar o mais perto possível do que é escrito por Moises.

Do outro lado o Estado Islâmico defende que o mundo todo deve se ajoelhar a Alá. Alguns textos do Corão dão margem a interpretação a não apenas a Jihad (morte dos infiéis) como também a aniquilação de todo aquele muçulmano que não ajudar na Jihad. Os textos que falam de salvação no Corão abrem margem para duas coisas, a certeza da salvação daquele que morrer na Jihad (daqui nasce a justificativa para ataques suicidas) e a não-certeza da salvação para aquele que morre fora da Jihad.

Vale lembrar que ambas interpretações podem estar erradas.

Do lado judeu, é possível se dizer que não existe mais Israel. E faz muito tempo. Após o reinado de Salomão, Israel foi divido em dois: Israel e Judá. Os israelitas foram misturados (casados com pessoas fora da assembleia) e portanto, genealogicamente , se perderam. Por isso existe o desprezo, ou mesmo ódio, aos da região da Samaria no Novo Testamento; porque eles eram menos “puros”. O reino de Judá continuou “puro”; e portanto é possível afirmar que dentro da justificativa religiosa apenas essa região deveria volta as mãos judias. Já olhou a diferença entre o tratado com a ONU, o mapa atual e o mapa do reino de Judá? (Como não consegui achar mapas decentes para isso, dá uma pausa na leitura, vai no google e volta aqui). Existem vários rabinos que não só condenam a existência do estado de Israel, tal qual ele se dá hoje; como alguns que creem na não necessidade de um estado politico israelense.

Do lado islamico, existem varios sheiques que defendem a pratica do islamismo bem mais pacifista. Existem pelo menos 3 linhas teológicas islâmicas, sendo que do radicalismo dos xiitas e dos sunitas que nascem os grupos “terroristas”. E mesmo grupos terroristas como a Al Qaeda não aprovam o ISIS. Ou seja, mesmo os mais radicais muçulmanos discordam da interpretação que o ISIS faz do Corão.

Portanto não existe concordancia total sobre ambos os lados. Assim como nem todas as interpretações dos teólogos, das respectivas religiões, convergem no que está acontecendo.

2) Uso de Terrorismo (ou grupos paramilitares)

Do lado sionista temos um grupo muito forte chamado Haganah, que se dividiu em Irgun e Lehi. Como não existia um estado instituído e usavam de artefatos para explosão e morte de seus inimigos (declarados ou não). Depois da Primeira Guerra Mundial toda a região da Palestina foi dada como propriedade inglesa, e durante os anos entre guerras esses grupos paramilitares usaram de terrorismo como forma de pressionar o governo inglês. Em 1939 a Inglaterra assinou o “Livro Branco”, que dividia a região entre Palestinos e Judeus; que não foi respeitado pelos judeus. Após Segunda Guerra Mundial, e com a pressão internacional em cima dos britânicos, o problema foi passado para a recém fundada ONU. Em 1946 o maior ataque terrorista aconteceu, no Hotel King David; matando 91 britânicos, judeus e palestinos. Inserção importante: A rua do hotel foi mudada para Gal em 1995 em homenagem a Joshua “Gal” Goldschmidt, organizador do atentado; e em 2006 foi feito o aniversario de 60 anos do atentando e a colocação de um placa no prédio com o relato do acontecido. Esse ultimo foi considerado ato de terrorismo por parte do governo britânico. E sim, os atos do Haganah (e suas vertentes) os primeiros registros modernos do uso de terrorismo.

Do lado Islamico, varios atentados ocorreram contra os Israelenses. Mas o principal ataque terrorista foi o 11 de Setembro, matando mais de 3 mil pessoas de mais de 70 nacionalidades diferentes. Foi o primeiro ataque na história aos Estados Unidos continental, desde a independência do mesmo da Inglaterra. A Al Qaeda reivindicou o ataque, e foi dado o início a guerra do Afeganistão que totalizou em mais de quarenta mil mortos (entre soldados de ambos os lados, sendo que as estimativas mais pessimistas dizem que 34 mil foram civis). Poucos foram os lideres politicos que apoiaram o atentado, e dos poucos que apoiaram poucos continuam vivos.

3) Morte de Cristaos

Nem sempre os judeus e os cristãos foram amigos. De um lado os cristãos perseguiram os judeus e outras vezes foi o contrario. Mas se nos focarmos nas organizações (paramilitares) terroristas judias, elas miraram em cristãos em vários momentos. Talvez não por serem cristãos, mas foram pessoas que proferiam a fé cristã que, também, morreram na mão desses grupos. Algumas interpretações mais radicais dos “guias” do Haganah dão margem a interpretação para o uso de violência com cristãos; uma vez que somos uma deturpação da fé deles (aos olhos deles), tanto quanto os Mormons são uma deturpação da nossa fé (a nossos olhos).

Sobre o ISIS matando cristãos, não preciso me alongar. Como foi falado, o islamismo dá margem a interpretação de que matar “infiéis” te dá a segurança da certeza da salvação.

Concluindo. Não sou anti-semita, sou contra a forma que se dá a ocupação israelense na Palestina e onde estão ocupando. Também não odeio os muçulmanos, mas reprovo o ISIS e seus atos. Como cristão menonita eu não vejo outra possibilidade do que tentar propagar o Evangelho de Paz, e não violência; mas isso é assunto pra outro post.

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Published by

Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.