#MeDeixa ou #DeixaElas.

Sobre a campanha da Marie Claire Brasil #MeDeixa quero lembrar a todos os envolvidos que:
Existe um contexto atrás de todo aborto, existe um contexto familiar, social, etário. Julgar esse ato no vácuo, ou mesmo dizer que ela “fez porque quis” é de uma ignorância gigante.
Ninguém quer abortar. Converse com pessoas que abortaram, a maioria (das que eu conversei, ou conheço) o fizeram (ou tentaram) justamente por causa do contexto. Seja uma gravidez na adolescência, uma boca a mais pra alimentar com o pouco sustento de uma casa, um aborto paterno (abandono total por parte do pai) e mais um milhão de motivos.
Dizer #MeDeixa é apenas uma forma da mulher deixar claro que foi uma decisão dela, e que você (sim você) nunca teve nada a ver com isso.
Quer ajudar? Mostre pras mulheres que estão gravidas que você se compromete a ajudar a criar aquela criança, se compromete em ser comunidade pra ela, e qualquer que seja o motivo VOCÊ vai ser parte da solução. E se ela não quiser sua ajuda, #DeixaEla.
Seja suporte, independente da decisão dela. Pode ser que seja outro corpo dentro dela, e (quase) certeza que ela vai ter danos psicológicos com o aborto; mas porque o homem pode abandonar a criança e a mulher não? Lembrando que alguém da sua familia já abortou ou tentou abortar, mas provavelmente você não sabe; uma de cada sete brasileiras já abortou ou tentou abortar. É possível que alguma mulher que você admira (se você admira mais que oito mulheres) já cometeu aborto ou tentou.
Mulheres não precisam de dedos apontados para elas, apenas mãos que ajudem elas na caminhada.
Quer ser pró-vida? Ajude no albergue de sem-tetos, ajude no sopão da madrugada, ajude nos orfanatos, doe roupas antigas, corte o cabelo de pessoas na rua, ajude nas associações de justiça social, voluntarie em algum hospital de crianças ou de adultos, ou qualquer outra coisa.
Só não tente legislar sobre o útero de outras pessoas, ou tente usar a minha religião para tal.
Sei que o local de voz não é meu, mas queria usar o meu espaço pra lembrar dessa luta.

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Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.