Porque não somos produtos. Ou somos?

Foi lançada a Ello. Uma rede social sem venda de informações. Com a ideia de que redes sociais devem ser para dar poder de voz aos usuários, e não ser um espaço para manipulação e coerção.

Ello, porque você não somos produtos. Ou não.
Ello, porque você não somos produtos. Ou não.

Mas a internet no é o maior espaço para democratização da informação? Sim e não. Sim, voce tem acesso a maior biblioteca ja existente, se houvesse um sistema rápido de indexação na biblioteca de Alexandria ele não te traria resultados tão interessantes quanto o Google, ou o Facebook, ou o Twitter. Não, porque os resultados seriam do interesse de alguém, não o seu, da empresa que está financiando o buscador. E por isso uma das profissões mais em voga é o tal do Social Media ou SEO (Search Engine Optimizer), porque não basta aparecer no Google tem que ser na primeira pagina (preferencialmente no primeiro ou segundo lugar). Por isso que uma empresa de fundo de quintal vai ter menos acessos que uma empresa que tenha contratado um SEO, porque vai ser visto. Não é mais “cresça e apareça” é “apareça e cresça”.

E as regras  por trás de uma pesquisa não é só isso! O que você, usuário, andou acessando também interfere e muito. Ou seja, o Google tem um “robô” monitorando tudo que você acessa (até na aba “anônima”, ela só não grava no histórico ou salva senhas). E como uma empresa como o Google ganha dinheiro? De você! Tu es o maior produto que uma empresa na internet pode vender! Cada vez que você acessa um site, existe um programinha dentro do seu computador contando para o Google o que você acessou. Um pacote com os seus dados e de outras pessoas é vendido, por um preço alto.

E o resto da internet? Simples, a gente vende um espaço no nosso site, blog, rede social, enfim no nosso espaço da internet. E quando digo “a gente” é porque eu vendo um espaço desse blog. Ta vendo aquele anuncio ali do lado? Ele é “pensado” pra você. Todos os seus dados são processados por um servidor que decide qual anuncio vai mostrar, e eu ganho um pouco de dinheiro se voce clicar (por favor, clique!).

E ai que nasce um dos maiores paradoxos da internet. Eu, cara que faz centavos por cliques, tô errado em fazer isso? Pense, eu estou te dando conteúdo. Esse texto que voce esta lendo custou tempo, que eu poderia estar trabalhando e ganhando mais que escrevendo aqui. E uma rede social que te da acesso rápido a seus amigos? Ou a diferentes fontes de informação, que antes era uma vez por dia e olhe la. Parece que não, mas a internet CUSTA DINHEIRO. Resumindo internet é um computador acessando outro. Ou seja, esse texto esta em um servidor que, se Deus quiser, vai estar ligado 24/7. E se der problema, alguém vai ter que ir la arrumar. E alguém tem que pagar isso.

E esse é um site pequeno, com poucos acessos diários. Imagina o Facebook que tem 1 BILHÃO de usuários, acessando pelo menos uma vez por dia. Se cada um decidisse ver um video fofo de gatinho em HD, seria uma transferencia de mais de 1’000 Terabytes em menos de 10 minutos. Nenhum computador consegue ter essa capacidade. Por isso o Facebook tem servidores espalhados no mundo, que contem tudo o que voce vê quando acessa a sua conta. E voce não paga nada disso, o que paga são os anunciantes que ficam ali do lado direito do seu feed de noticias. A maioria das redes sociais existem e são gratuitas porque eles vendem um produto muito valioso: VOCÊ!

Agora lembremos como eram os comerciais antes da internet. Eram comerciais genéricos, para todos. Com ajuda do Facebook, voce recebe anúncios do que gosta. Tudo o que é curtido dentro e fora das redes sociais passam por um computador, que mostra um comercial personalizado para você. E quanto mais você acessa o Facebook e mais se relaciona dentro dele mais específicos ficam essas sugestões de compra. Do nível que aqui nos Estados Unidos um pai teve sugestão de carrinhos de bebe ao acessar o Facebook, porque a rede social sabia que a filha tinha feito sexo sem proteção com o namorado durante seu período fértil, e o pai nem sabia que ela tinha um namorado.

Aqui quero apresentar algumas perguntas. Vale a pena “se vender” na internet para ter facilidades? E até onde é invasão de privacidade? Até onde a culpa é “do sistema” e até onde a culpa é do usuário que não leu os termos de uso? Ser ‘cool’ vale a troca?

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Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.