Porque tentamos (ainda) fazer filmes baseados em mitologias?

Alex Proyas é um diretor australiano nascido no Egito. Recentemente ele dirigiu o filme “Deuses do Egito”, e claro causou muita controvérsia. Principalmente porque todos os atores contratados são europeus ou norte-americanos brancos e porque os mitos egípcios foram tripudiados pela narrativa do filme. Entendam, eu ainda não assisti (principalmente por não assistir filmes com menos de nota 7 no IMDb, é daquelas manias que todos temos) e não vou falar da narrativa do filme, mas da controvérsia quanto ao problema de retratar narrativas mitológicas no cinema e a questão racial.

Deuses do Egito, um filme que vai demorar pra eu ver.
Deuses do Egito, um filme que vai demorar pra eu ver.

Já tentamos retratar outras mitologias (seja grega, nórdica, asiática, indígena, ou mesmo cristã) nas telas dos cinemas, mas sempre esbarramos que essas mitologias explicavam algo para um certo povo em um certo contexto histórico. Portanto, como arte e como entretenimento são inúteis para outro povo em outro contexto histórico. Não discuto aqui que sejam inúteis enquanto mitologias, mas inúteis como entretenimento e arte. Porque esperamos o espanto, o monomito; e, em geral, a mitologia não tem uma narrativa que entretenha. Por isso mudamos um pouco aqui, um pouco acolá, coloca-se um romance entre dois amantes (que originalmente nem se conheceram), coloca-se um ator eslavo (loiro e de olhos azuis) para retratar um deus asiático, coloca-se um estadunidense pra retratar um samurai, etc. E isso tripudia a narrativa original, e causa furor entre os crentes ou fãs originais da mitologia original (só ver a revolta que o filme Noé causou entre cristãos e entusiastas da mitologia cristã). Por isso eu sempre vou apoiar quem tentar criar mitologias próprias, roteiros originais ao cinema ou até filmes baseados em brinquedos; em detrimento de filmes que acabem com mitologias (lembra de Percy Jackson?) ou histórias originais (lembra do romance entre Principe Caspian e Susana?).

Deu pra ver a diferença?
Deu pra ver a diferença?

Whitewashing é um termo inglês para definir quando um ator branco interpreta um papel originalmente de alguma outra raça. Sim, acontece troca de raças ao contrario também, mas quando é personagens brancos por outras raças a internet vai ao delírio. Exemplo perfeito é quando lembramos que Katniss Everdeen é citada como tendo “cabelo preto liso, pele cor de oliva e olhos cinzentos” e a internet ficou tranquilaça; ou seja uma mulher “não-branca”, diferentemente de Jennifer Lawrence; e a Amanda Sternberg foi duramente criticada por interpretar uma personagem originalmente branca. Isso acaba com a representatividade, acaba com a possibilidade de ótimos atores (e atrizes) mostrarem a sua capacidade e  receberem prêmios. Por isso vários sites citam coisas “menos brancas que o Oscar”.

Bye...
Bye…

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Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.