Sobre redes sociais e felicidade

Vivemos uma tirania. Todos temos que ser felizes. Todo o momento em que estamos acordados devem exalar felicidade e contentamento. E isso deve estar escrito em nossas redes sociais.

Ninguém é tão feliz quanto essas pessoas.
Ninguém é tão feliz quanto essas pessoas.

Ninguém pode postar que está curtindo uma fossa, vai ter alguns likes e comentários ruins, alguns até oferecendo ajuda psiquiátrica. Não medicos que possam ajudar, mas aquele remédio tarja preta que o amigo de alguém comprou. Não se respeita a vontade de ficar em casa tomando sorvete e assistindo comedia romântica. Sim, existem homens que fazem isso; mas você nunca vai ver isso no instagram de um homem.

Eu sei, é sábado a noite; pode ir pra sua balada cara, que o que vai me embalar é um filme em preto e branco, e ninguém vai saber que eu chorei. Chorei e chorei muito, mas se eu postar no facebook que fiz isso vai chover comentários ou me chamando de homossexual, ou perguntando se eu estou bem.

Quem nunca?
Quem nunca?

Perdemos esse tino com nossas emoções, e chegamos aquilo que Donnie Darko falou que não éramos. Mais um pouco e chegamos em uma linha reta entre Alegria e Não-Alegria, e só saberemos entender a primeira. O cinema sempre retratou o ser humano como relacional e emocional, graças a essa tirania da felicidade estamos perdendo os dois. Não sabemos lidar com frustrações, decepções, ou infelicidades sem um copo de álcool, algum balaco ilegal ou proibido, ou um pote de remédios que pagamos um psiquiatra a receita. A vida deveria passar por esses processos, e deveríamos ser livres pra tornar-los públicos; ou criaremos uma próxima geração que não vai conseguir lidar com o erro, quem dirá se defender do levante das maquinas.

See ya!
See ya!

Published by

Max

Responsável por essa bagaça, aquele que teve a ideia de que ter um blog seria legal. Escreve sobre o que vem na cabeça, as vezes sobre o que sobressai nas redes sociais também.